Ar tenso. Palavras rasgadas explodem transformando-se
Ficar um tempo sozinha no escuro. Sentir o gosto da dor, o gosto da separação. Como? Que bobagem, meu Deus! Por que a gente sempre quer experimentar a dor quando tudo vai bem? Seus olhos não suportam o peso de suas pálpebras, ela comprime os lábios e luta contra aquela dor que aperta o peito. Aperta, aperta, aperta e explode. Ela é vencida. Lágrimas teimosas escorrem por sua face e fogem. Fraca quando mais precisa ser aquela menina forte e fria.
Estava claro: ela tinha nada e ninguém até encontrá-lo. E ele se tornou sua fonte de vida. Era o motivo, motivação. Agora ela tinha que escolher entre duas pequenas palavras. Gigantescas naquele momento. Sim e não. Dois caminhos. Morte e vida. Inferno e céu. O "sim" deixaria sua vida escorregar por entre suas mãos como areia. Ela perderia o ar, perderia a vida. O "sim" roubaria tudo e deixaria para ela apenas a existência. Existir não é viver. E o "não". O "não", por mais negativo que fosse, manteria a sua fonte de água. A paz, a felicidade. Felicidade que teria defeitos vezenquando. Ou a todo instante.
Ele sabia o significado das lágrimas. Então seus braços enlaçam aquele corpo tão pequeno. Ela se viu minúscula diante do maior homem do universo. E suas lágrimas foram secadas por aquelas mãos tão compreensivas e tão queridas. Não. Eu não quero e não posso te deixar. Agora, era tudo doce. Não. Doce, bom pro coração. Não. Deixando doce o abraço, o beijo, o amor. Doce. Não. Será. Doce.
