Quarta fomos ao circo. Não vou dizer que estava horrível, como sempre faço. Eu quero perder essa fama de "rabugenta". Minha prima me chamou a atenção umas três vezes. Na primeira, eu estava com o celular. Na segunda, celular de novo. Na terceira, "Por que você não está rindo, Patrícia? Sua sem graça". Ela chamou minha atenção como se eu fosse uma criança malcriada. Você tem que fazer isso, é obrigada a rir num circo. Todos estão rindo, você também tem que rir. Mas eu simplesmente não achei engraçado. O palhaço era um palhaço. Eu achei mais engraçado aquela roupa de homem-aranha do malabarista, super coladinha e... "sençual". Sem contar que haviam uns caras sentados atrás que contaram o "espetáculo" inteiro. Acho que era o mesmo todos os dias, já que a platéia decorou as falas do palhaço. Falam que o palhaço e os demais são sem graça, mas foram todos os dias ao circo. E as meninas gritavam histericamente, todas as vezes que apagavam as luzes. Ou sempre tinha um idiota que ria escandalosamente fora da hora de rir (é, eu penso assim agora, tem a hora certa de rir). Se não gosta, porra, vai pra casa e fica lá assistindo alguma merda e se entupindo de comida. Ou se você está afim de se fazer de ridículo e tomar a cena do próprio palhaço, trabalhe na merda do circo. Eu fiquei com uma vontade quase que incontrolável de tomar aquela merda de microfone do locutor (que tinha uma voz irritante, ridícula que me dava nos nervos) e mandar todos tomar no cu. Eu cheguei a conclusão que não é necessário ir ao circo para rir um pouco. Eu prefiro rir das pessoas à minha volta. Eu prefiro rir desse mundo fútil em que vivemos. Não sei porque gastar dinheiro com circo, se os palhaços sempre estão por perto.
Vão pro inferno!
"Vou confessar: acho que nunca fui "feliz" ao pé da letra. Não me pergunte um momento em que estive realmente feliz. Não conheci a felicidade por inteiro, vi sempre pela metade. E os momentos de quase-felicidade são raríssimos. Nunca fico satisfeita, sempre falta alguma coisa. Pode dizer "Você será feliz quando encontrar sua metade da laranja". Ou encontrar a metade de um limão, quem sabe? Mas onde essa porra de metade se escondeu? Não estou tendo paciência de procurar debaixo de pedrinhas, da cama, dentro do meu guarda-roupa (E desejo que ela não esteja lá. Estaria mesmo perdida)... E, guarde o que te digo, ainda procurarei nos banheiros masculinos para me certificar, talvez lá estará: linda... ou feia, sei lá. Não, não tenho medo de sofrer. Mas se isso acontecer, posso dizer que sou bastante vingativa. Posso procurar a minha metade do limão até no inferno, posso até gostar do seu tridente e dos seus chifres pontudos e charmosos. A cor vermelha me atrai muito. Posso ser amante, mãe, escrava, irmã, amiga e seja lá o que for! Eu quero a felicidade-extrema como amante, nem que para isso eu pague com umas lágrimas... mas "fiado"."
Vão pro inferno!
